Quando eu cheguei no shopping, já era de noite. Esse maldito horário de inverno fazia com que a gente pensasse que era muito mais tarde do que na verdade era. Não estava vendo ninguém nos arredores das lojas nem do cinema. Liguei para o Caio.
-pii, pii, piii. Quem fala? Acho que eu não sei porque a senhorita não está registrada no meu celular e não a conheço.
-Cainho! Doido, onde você está?
-Eu estou atras de você. E você?
-Provavélmente na sua frente.
Quando eu me virei vi a pessoa mais meiga do mundo na minha frente. Olhos e cabelo escuros, pele morena e um sorriso radiante. Era quem eu amava secretamente. Não fala para ninguém. Ele desligou o celular e me olhou bem no fundo dos meus olhos.
-Julinha, Julinha... Por onde você andou se metendo?
-Por ai, ue!
Nesse mesmo instante, vi o Mario e a Luize se aproximando. O Mario estava vestindo uma das camisetas sexys dele, meio abertinhas no peito e tão apertada que quase dava para ver seu músculos invisivéis. Ele não era musculoso, mas não era obeso. Ele era até que meio magrela. Eu achava ele o cara mais metido do mundo, com aquelas suas roupinhas abertas e jeans apertados numa bunda quase inexistente; mas isso não era importante para a Lu.
Eles se conheceram numa daquelas baladinhas. Ele (obviamente) estava com aquelas roupas que a deixavam louca: apertadinhas e abertinhas. Incrível como uma adolescente pode ficar louca de paixões por um cara tão superficial quanto ele. Bom, eles se conheceram e começaram a ir no shopping, no cinema, etc. Coisas que casais comuns fazem. Monotonia total. Para a Luize, isso era o máximo, fazia parte de seu príncipe encantado. E agora eles estavam namorando faz... o que? Uns 2 meses. Não dou mais dois meses por eles. Odeio esse cara.
Entramos no cinema. A Luize me chamou para irmos no banheiro enquanto o Caio e o Mario compravam os ingressos. E pipoca para mim e o Caio. A Luize não queria pipoca, queria parecer magra mesmo que ela já fosse um palito. E todo mundo sabe que quem pede pipoca não vai beijar ninguém né?
Assim que a Lu me arrastou (literalmente) até o banheiro, ela pegou um gloss de sua bolsa e começou a querer me produzir.
-Lu! Que é isso?
-Já está na hora de você beijar o Caio. Vocês estão enrolando faz tempo, e quero ver você feliz.
-Eu estou feliz. Você sabe que eu sou feliz. Além disso, eu posso estar enrolando. Já o Caio, não sei. E se ele não gostar de mim? Prefiro não arriscar.
Me olhei no espelho imundo do banheiro do cinema. Meus olhos azuis escuros resaltavam com a minha pele e cabelo morenos. Eu estava vestindo uma camiseta de alçinhas com um arcoiris escrito freedom. Eu adorava aquela blusa. Combinando com uma calça jeans velha e fiel. Estava de cabelo solto, longo até embaixo do meu peito (não magnifico, por sinal) com cachinhos nas pontas. Eu não poderia nem ser comparada com a Luize. Ela estava vestindo uma sainha rosa com rendinhas e uma regata branca. Seu cabelo estava liso e preso pela metade, formando um lacinho atras com o seu próprio cabelo. Além disso ela estava maquiada da mesma cor da saia, um rosinha meigo, porém sexy. Seu olhos castanhos eram convidativos e provocantes. Depois dessa análise, não tinha mais dúvidas de porque ela e o Mario estavam juntos. Eles simplesmente eram ícones da moda.
-Ele já esta na sua.- disse a Luize esperando que eu deixasse que ela passase sombra brilhante nos meus olhos e coisa gosmenta nos meus lábios.
-Eu prefiro deixar tudo como está. A gente esta enrolando, mas é até que gostoso deixar rolar. Eu quero que eu não seja somente o namorico dele, e sim muito mais do que isso. Não quero que ele me abandone num futuro. Nem que ele me considere e super ex namorada chata.
-Está bem. Vamos. Mas, se um dia ele te beijar, o crédito é meu.
Paciência X Ansiedade
Há 17 anos