Sem querer saber de mais nada, belisquei meu irmão tão forte, que minutos depois eu me arrependi. Sabia que dali a alguns minutos ele ia exhibir seu ematoma como se fosse um troféu e dar uma de coitado. Nossa. Realmente não conseguia descifrar o que acontecia na cabeça dele: era como um turbilão de idéias indo e vindo e vindo e indo a cada trinta segundos. Era tão complexo e inestável que ninguém nunca podia entendê-lo. E como isso acontecia com bastante frequência, ele batia nas pessoas.
Sempre falei para a minha mãe que deixar que ele fizesse aulas de kung fu era uma idéia terrivelmente perigosa. Ela? Nunca me ouviu. E até hoje briga com ele porque agora ele aprendeu a bloquear os golpes da minha mãe. Ele está ficando tão bom que ele já faz isso por reflexo. O problema é que agora ele se acha James Bourne. E sem querer ofuscar os faixa preta no kung fu, mas meu irmão é foda.
Subi no meu quarto, esperando o típico grito da minha mãe me chamando para explicar o roxo na pele lisinha e branquinha do meu irmão. Já até sabia a história de cor: a minha mãe me chamava, me dizia que isso não era certo e depois me deixava ir. Quase que até me dava um doce por ser tão boa menina. Mas se meu irmão implicasse comigo... Ai que o bicho pegava.
-O interfone, gente. Alguém vai atender pelo amor de Deus; vai você filha, deve ser o Caio.
-Ta mãe. - até parecia que ela tinha esquecido que eu tinha brigado com meu irmão.
-Alô?
-Sim, quem fala?
-Julia.
-Senhorita Julia, podemos falar com a sua mãe?
-Podemos?
-Sim, é urgente.
Foi quando eu já fiquei perocupada. O interfone somente tocava quando alguém chegava no condôminio. Eu chamei a minha mãe e ela veio andando, com aquela cara de "o que caralh*?" e atendeu de mau jeito. Ela só afirmou umas três vezes e depois desligou. Depois disso fui eu a da cara de "o que caralh*?"
-Mãe?
-Fala filha.
-O que foi isso? Quer dizer.. era o Caio, certo?
-Não.
-Então...?
A minha mãe ficou em silêncio por alguns minutos. O olhar dela com certeza queria me dizer algo, mas não conseguia entender o que ela quria me dizer. Depois disso, ela saiu andando com o seu lindo avental de flores e uma xícara de café quente que tinha pegado na cozinha. Chamou o nome do meu pai e depois ouvi o meu pai gritando:
-Meninos, já voltamos. Vamos comprar umas coisas no supermercado. Não demoramos.
E eles sairam pela porta de entrada como se nada tivesse acontecido. Estava realmente disposta a saber que era isso.
Paciência X Ansiedade
Há 17 anos
Um comentário:
noossa, adoorei mano!
hauhaihua vc escreve iguaal nos livros pra adolescente tipo Diário de Uma Princesa.
continua escrevendo, hein?
beeijo amor
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